Esteve
em visita ao Portal Prudente, o Capitão-de-Corveta
Comandante Francisco das Chagas Lemos Júnior
juntamente com o Sargento Onésio, da Delegacia
Fluvial de Presidente Epitácio, região
de Presidente Prudente.
Neste
ano, se comemora o Bi-Centenário do Almirante
Tamandaré, patrono da Marinha.

À
esquerda Capitão-de-Corveta Comandante Francisco
das Chagas Lemos Júnior,
ao centro sr. José Luiz Tonetto, à
direita Sargento Lemos.
Bi-Centenário
do Almirante Tamandaré
ALMIRANTE
TAMANDARÉ
Patrono da Marinha
O
Almirante Joaquim Marques Lisboa, Marquês
de Tamandaré, é o Patrono da Marinha.
Toda sua vida foi dedicada a ela, em um período
crítico da História do País.
Desde muito jovem, participou ativamente da formação
do Brasil, destacando-se por seus feitos notáveis.
Foi
parte importante de uma geração de
marinheiros, guerreiros e estadistas a quem devemos
nossa maior herança: um grande País,
rico em recursos naturais, pátria de uma
nação unida por uma cultura e um idioma.
As qualidades de Tamandaré, comprovadas por
suas ações bem-sucedidas, são
exemplos, não somente para os bons marinheiros,
mas para os brasileiros de todos os tempos; relembrá-las
é um exercício de patriotismo e inspiração.
A
JUVENTUDE
Guerra da Independência
Após
a Independência do Brasil, proclamada em 7
de setembro de 1822, foi preciso expulsar as tropas
lusitanas fiéis às Cortes de Lisboa.
Cedo se percebeu a necessidade de criar uma Esquadra
brasileira, com homens leais, para projetar poder
e obter a adesão da Bahia, do Maranhão,
do Pará e da Cisplatina (atual Uruguai).
A Guerra da Independência possibilitou a integração
nacional, e nela essa Esquadra desempenhou um papel
relevante.
Com 15 anos de idade, Joaquim Marques Lisboa (Tamandaré)
se apresentou como voluntário e iniciou sua
carreira na Marinha. Participou dos combates no
mar na costa da Bahia e, depois, a bordo da Fragata
Niterói, sob o comando de John Taylor, da
perseguição da força naval
portuguesa até a costa de Portugal.
O
AMADURECIMENTO
Cisplatina
Em
1825, o Brasil entrou em guerra com as Províncias
Unidas do Rio da Prata, atual Argentina, que pretendia
anexar a Província Cisplatina, até
então parte do território brasileiro,
que se revoltara. O conflito terminou em 1828 e
teve como desfecho uma arbitragem externa, que deu
a independência à Cisplatina, com o
nome de República Oriental do Uruguai.
Ocorreram muitos combates navais nesse período
e o Tenente Lisboa (Tamandaré) se destacou
por sua coragem e liderança em vários
deles. Assumiu o comando de um navio de guerra aos
18 anos de idade e logo se tornou um herói,
tomando o navio que o levava prisioneiro com outros
brasileiros.
Com
20 anos, comandando seu segundo navio, a Escuna
Bela Maria, travou um duelo de artilharia com um
navio argentino e acabou obtendo sua rendição.
Demonstrou então seu cavalheirismo, sendo
gentil com seus prisioneiros, o que mereceu o reconhecimento
do inimigo.
Nessa guerra, ele amadureceu precocemente, forjando
um caráter que foi o padrão de sua
vida.
O
PODER NAVAL NA PRESERVAÇÃO DA UNIDADE
TERRITORIAL BRASILEIRA
A
repressão às inúmeras revoltas,
que poderiam ter afetado a integridade do território
brasileiro, contou com a participação
importante do Poder Naval, que foi um elemento fundamental
para a manutenção da unidade territorial
do Brasil, quando os laços da nacionalidade
ainda eram frágeis, e também para
a consecução da política imperial
além das fronteiras.
Em todas as ações contra-revolucionárias
então desenvolvidas, o papel da Marinha Imperial
foi decisivo, fazendo chegar tropas aos pontos onde
elas eram necessárias e apoiando as ações
em terra.
O isolamento das áreas sublevadas por mar,
única via de comunicação, através
do bloqueio naval, contribuiu para limitar as ações
rebeldes.
A
CHEGADA DO VAPOR - 1847
Com
o avançar do século XIX, a propulsão
a vapor foi tomando tal impulso que acabou por impor-se
aos mais conservadores chefes navais, temerosos
de que a precariedade do abastecimento de carvão
limitasse os movimentos das esquadras.
A Marinha Imperial, que já possuía
barcas a vapor, finalmente encomendou, na Inglaterra,
seu primeiro navio de guerra de grande porte, a
vapor, a Fragata D. Afonso, sendo designado para
seu primeiro comandante, em 1847, o Capitão-de-Mar-e-Guerra
Joaquim Marques Lisboa (Tamandaré).
Durante
o honroso comando teve ocasião de praticar
dois feitos humanitários que teriam vasta
repercussão: o salvamento de passageiros
e tripulantes do Navio Ocean Monarch, incendiado
próximo a Liverpool, e da Nau Vasco da Gama,
desarvorada ao largo da barra do Rio de Janeiro.
O
REAPARELHAMENTO DA MARINHA
Em
1852, Joaquim Marques Lisboa foi promovido a Chefe-de-Divisão,
posto correspondente a Comodoro em outras Marinhas,
e, em 1854, a Chefe-de-Esquadra (Contra-Almirante).
Em 1857, foi-lhe concedida licença para tratamento
de saúde da esposa na Europa.
Aproveitando sua estadia no exterior, o Governo
o incumbira de fiscalizar a construção
de duas canhoneiras na França e de oito outras
na Inglaterra. Os navios de propulsão mista
(vela e vapor) e hélice construídos
no exterior sob fiscalização de Tamandaré
foram: Araguari, Araguai, Iguatemi, Ivaí,
Tiête, Itajaí, Ibicuí, Parnaíba,
Belmonte e Mearim. Significaram uma atualização
necessária para que a Marinha pudesse continuar
atuando em defesa dos interesses do Brasil e, mais
tarde, esses navios tiveram participação
importante na questão com o Uruguai e, depois,
na Guerra da Tríplice Aliança contra
o Paraguai.
Já Vice-Almirante, fora homenageado, em 1860,
com o título de Barão de Tamandaré.
Poucos anos depois, em 1864, assumiu o cargo de
Comandante-em-Chefe das Forças Navais Brasileiras
em Operação no Rio da Prata.
A
INTERVENÇÃO NO URUGUAI
No
Uruguai, o conflito entre os partidos Blanco e Colorado
lançou aquela república a uma guerra
civil. Brasileiros residentes naquele país
foram envolvidos ou se envolveram nos conflitos,
alguns foram hostilizados, sofreram graves ofensas
e prejuízos materiais.
Em 1864, o Brasil resolveu intervir em favor desses
brasileiros e enviou um ministro plenipotenciário,
em missão diplomática, porém
com o respaldo de uma força naval comandada
por Tamandaré.
Não sendo possível a pacificação
do Uruguai e o atendimento das satisfações
exigidas pelo Brasil, a situação evoluiu
para uma intervenção militar brasileira.
Houve combates em Salto e Paissandu, que foram ocupadas
por tropas sob o comando de Tamandaré, que
agiu com energia e eficácia. Em seguida,
Montevidéu se rendeu e o partido Colorado
assumiu o governo do país.
A
GUERRA DA TRÍPLICE ALIANÇA CONTRA
O PARAGUAI (1865-1870)
A
Guerra da Tríplice Aliança contra
o Paraguai (1865-1870) foi o maior conflito militar
da América do Sul, somente superado em vítimas
no Novo Mundo pela Guerra Civil Americana (1861-1865).
Para o Brasil foi um desafio que exigiu um enorme
esforço logístico. Foi a primeira
grande mobilização do País,
inclusive recrutando pessoas de todas as províncias.
Nessa guerra, os brasileiros das diversas regiões
passaram a se conhecer melhor e se acostumaram a
trabalhar juntos, o que, sem dúvida, favoreceu
a consolidação da nacionalidade brasileira.
Coube a Tamandaré o comando das forças
navais no início da guerra, em 1865 e 1866.
Logo, ele estabeleceu o bloqueio naval e se empenhou
na organização de um apoio logístico
eficiente. O suprimento de combustível, mantimentos
e munição e o apoio de manutenção
aos navios foram fundamentais para o bom êxito
das operações.
Na Batalha Naval de Riachuelo, em 11 de junho de
1865, o Chefe-de-Divisão Francisco Manoel
Barroso da Silva, que ele designara para comandar
as divisões no Rio Paraná, obteve
uma vitória decisiva, que garantiu o bloqueio
e mudou o curso da guerra.
Em seguida, Tamandaré comandou a operação
militar de Passo da Pátria, invadindo o território
inimigo e obtendo bom êxito em um difícil
desembarque de grande envergadura.
Na tentativa de conquistar as fortificações
do Rio Paraguai, que impediam o avanço aliado,
comandou o apoio naval.
Solicitou exoneração do cargo por
razões de saúde e políticas,
sendo substituído no comando, em dezembro
de 1866, pelo Almirante Joaquim José Ignácio,
posteriormente Visconde de Inhaúma.
O
RECONHECIMENTO DA NAÇÃO
O
reconhecimento da Nação brasileira
começou durante a vida de Tamandaré.
Em 1865, batizaram um dos navios encouraçados
construídos no Arsenal de Marinha para a
Guerra da Tríplice Aliança contra
o Paraguai com seu nome. Vinte e cinco anos depois,
poucos anos antes de sua morte, deram o nome de
Tamandaré a um cruzador, que ainda é
o maior navio de guerra construído no País.
A partir de então, seu nome passou a ser
utilizado tradicionalmente para navios muito importantes
da Marinha do Brasil. O Cruzador Tamandaré,
das décadas de 1950 a 1970, não mais
em serviço, foi o último.
Na sua longa existência, Tamandaré
recebeu outras provas de reconhecimento por sua
contribuição para o País. Foi
barão, visconde, conde e marquês, durante
o Império. Foi agraciado com várias
medalhas e condecorações, destacando-se
o Colar da Ordem Imperial da Rosa, só recebido
por Tamandaré, Caxias e pelo Imperador D.
Pedro II.
Fez-se merecedor, também, de muitos elogios.
Talvez o mais significativo tenha sido o do Primeiro-Almirante
Lord Cochrane, que o recomendou a D. Pedro I, quando
somente tinha 16 anos, com a previsão de
que aquele jovem marujo, no futuro, seria o "Nelson
brasileiro". Mais tarde, a Marinha fez dele
seu patrono.
A
CARTA TESTAMENTO DE TAMANDARÉ
"Exijo
que meu corpo seja vestido somente com camisa, ceroula
e coberto com um lençol, metido em um caixão
forrado de baeta, tendo uma cruz na mesma fazenda,
branca, e sobre ela colocada a âncora verde
que me ofereceu a Escola Naval em 13 de dezembro
de 1892, devendo-se colocar no lugar que faz cruz
a haste e o cepo um coração imitando
o de Jesus, para que assim ornado signifique a âncora-cruz,
o emblema da fé, esperança e caridade,
que procurei conservar sempre como timbre de meus
sentimentos.
Sobre
o caixão não desejo se coloque coroas,
flores nem enfeites de qualquer espécie,
e só a Comenda do Cruzeiro que ornava o peito
do Sr. D. Pedro II em Uruguaiana, quando compareceu
como primeiro dos voluntários da Pátria
para libertar aquela possessão brasileira
do jugo dos paraguaios que a aviltavam com a sua
pressão; e como tributo de gratidão
e benevolência com que sempre me honrou e
da lealdade que constantemente a S.M.I. [Sua Majestade
Imperial] tributei, desejo que essa comenda relíquia
esteja sobre meu corpo até que baixe à
sepultura, devendo ficar depois pertencente a minha
filha D.M.E.M.L. (Dona Maria Eufrásia Marques
Lisboa) como memória d'Ele e lembrança
minha.
"Exijo que se não faça anúncio
nem convites para o enterro de meus restos mortais
, que desejo sejam conduzidos de casa ao carro e
deste à cova por meus irmãos em Jesus
o Cristo que hajam obtido o foro de cidadãos
pela Lei de 13 de maio. Isto prescrevo como prova
de consideração a essa classe de cidadãos
em reparação à falta de atenção
que com eles se teve pelo que sofreram durante o
estado de escravidão; e reverente homenagem
à Grande Isabel Redentora, benemérita
da Pátria e da Humanidade, que se imortalizou
libertando-os.
"Exijo mais, que meu corpo seja conduzido em
carrocinha de última classe, enterrado em
sepultura rasa até poder ser exumado, e meus
ossos colocados com os de meus pais, irmãos
e parentes, no jazigo da Família Marques
Lisboa.
"Como homenagem à Marinha, minha dileta
carreira, em que tive a fortuna de servir à
minha Pátria e prestar alguns serviços
à humanidade, peço que sobre a pedra
que cobrir minha sepultura se escreva: Aqui jaz
o Velho Marinheiro. M. de T."
Fonte:
Ministério da Defesa - Marinha do Brasil
DELEGACIA
FLUVIAL DE PRESIDENTE EPITÁCIO
R. Porto Alegre, 14-71, Vila Santa Rosa, Presidente
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Telefone: (18) 3281-3175 Fax: (18) 3281-6356
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